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Keitaro entrevista Hyllian
Entrevista feita por Keitaro em 02/10/2004:


Conheçam um pouco mais sobre Hyllian:

Keitaro: Primeiramente, fale um pouco de você (idade, profissão, onde mora, etc).

Hyllian: Tenho 27 anos, sou engenheiro-pesquisador-desenvolvedor (é mais ou menos a atividade que faço), nasci em Campina Grande-PB, mas atualmente moro em Manaus.

Keitaro: Conte um pouco da sua vida com relação a vídeo-games e jogos.

Hyllian: Jogo desde a época do Atari. Gosto bastante de RPGs, principalmente Final Fantasy e Zelda. Quando conheci os emuladores (na faculdade), eu nem tinha PC em casa. Juntei uma grana durante vários meses para comprar um PC só pensando nos emuladores (hehe!). No primeiro dia que eu peguei o PC, passei a noite inteira mexendo com emuladores. Logo no começo descobri as traduções inglesas e ingressei nesse hobby.

Keitaro: Qual é o seu emulador / jogo preferido? Por quê?

Hyllian: Emulador é o ZSNES. Primeiro porque ele é extremamente bem feito, rápido e emula o vídeo-game que mais me deu prazer em jogar. O jogo é Zelda - Ocarina of Time, uma obra de arte, extremamente bem feito e que até hoje não tem um jogo à altura. Só ultrapassaram em termos de gráficos, mas em termos de jogo, é inbatível ainda. Espero que o novo Zelda do Game Cube consiga mostrar o mesmo "feeling" que esse mostrou.

Keitaro: Como conheceu os emuladores?

Hyllian: Um amigo meu, o Ewerton, me falou uma vez que dava para jogar vídeo-game no PC. Ele me mostrou na universidade mesmo, acho que foi em 97. Vi o Nesticle, o Callus, o Genecyst e o Snes9x (muito lento na época). Foi um dos momentos mais incríveis que já tive, só não superou o dia em que eu vi o Atari pela primeira vez.

Keitaro: A que grupo pertenceu / fundou? Conte um pouco da história dele.

Hyllian: Participei da CBT. Quando eu já tinha uns 8 meses traduzindo Final Fantasy 5, descobri o site da CBT (em junho de 1999) e mandei um e-mail para o EAR_CLOCK. Ele acabou me convidando para o grupo depois que viu que eu já estava traduzindo Final Fantasy 5 com acentos. A única coisa que eu ainda não usava era a DTE do jogo. Mas ele me explicou o que era e modificou a DTE do Final Fantasy 5 para o português. Daí em diante eu mandava regularmente para ele fotos do jogo. A CBT acabou depois que os membros começaram a ter outras coisas na vida para fazer. Mas foi um grupo que lançou bastante coisa numa época bem incipiente da tradução brasileira.

Keitaro: O que te levou a traduzir?

Hyllian: Meu primeiro PC eu comprei em 98. Nessa época começavam a pipocar as primeiras traduções em inglês. Eu fiquei logo interessado quando vi um link em zophar.net sobre traduções. Acabei indo pesquisar sobre IPS, editores gráficos, editores hexadecimais, etc. Tudo aquilo era novo e extremamente empolgante. Tanto que decidi que ia traduzir o Final Fantasy 5, que havia em inglês na época. Para modificar a primeira letra do jogo, eu demorei uma noite inteira. Consegui quando já era manhã. Os documentos da época eram muito simples e não tinham muita informação. Acabei traduzindo a primeira frase de Final Fantasy 5 sem tabela, direto no hexadecimal. E isso continuou por mais alguns dias até eu me dar conta que muito se falava sobre tabela e eu não sabia o que era. Bem, foi mais ou menos assim que eu comecei a traduzir, aos trancos e barrancos.

Keitaro: Que jogos você traduziu? Conte um pouco da historia da(s) sua(s) tradução(ões).

Hyllian: Traduzi Star Fox de SNES, Dragon Quest de NES, Final Fantasy 5 de SNES e Zelda - Ocarina of Time de N64. Star Fox eu fiz em conjunto com o Condector. Dragon Quest eu fiz sozinho, mas não joguei para testar, portanto, deve ter alguns bugs. Final Fantasy 5 foi a primeira que eu levei a sério, foi com ela que eu aprendi a traduzir ROMs, e demorou um ano para ficar pronta. Zelda - Ocarina of Time foi o meu maior projeto finalizado. Contei com a ajuda de várias pessoas (que eu dei os créditos no readme da tradução). Foi um projeto muito interessante, pois o N64 na época era complicado de se emular, sem falar no tamanho das ROMs. Mas felizmente eu consegui finalizar, com muita persistência. Atualmente tenho um projeto de traduzir Final Fantasy 7, que está parado em 25%. Outro que iniciei a tradução, mas parei, foi o Phantasy Star I japonês do Master System, que tem som FM. Eu modifiquei as fontes japonesas para o nosso alfabeto e traduzi a introdução. Mas ficou impossível continuar por causa da falta de espaço.

Keitaro: Que jogos você ajudou a traduzir?

Hyllian: Eu ajudei no romhack de outros jogos, como os acentos e DTEs do Super Mario RPG da CBT (traduzido por Samurai_Pizza). Fiz os acentos dos Pokémons traduzidos pela CBT. Também refiz os acentos no Chrono Trigger da CBT e no Final Fantasy 3 do Sandman (Emuroms).

Keitaro: O que o afastou da emulação / romhacking?

Hyllian: Responsabilidades da vida real, emprego, etc.

Keitaro: Como anda a sua vida atualmente?

Hyllian: Trabalhando bastante, e com o mínimo de tempo eu acompanho as traduções. Às vezes pego uma ROM só para brincar de achar as fontes e depois deixo pra lá.

Keitaro: O que você espera para a emuscene / romhacking nesse e nos próximos anos?

Hyllian: Dos emuladores, espero muita evolução dos emuladores dos novos sistemas, como DreamCast, Game Cube, PlayStation 2 e XBox. Também estou de olho nos emuladores para XBox, que estão quase no nível dos de PC. Em termos de romhacking, torço para que novos tradutores com tempo de sobra apareçam para começar novos projetos.

Keitaro: Anda acompanhado o emuscene / romhacking atualmente? Se sim, o que acha? E sobre grupos brasileiros de tradução de hoje?

Hyllian: Acompanho sim. Acho que está um pouco parada. Talvez por não ser mais novidade. Mas acho que tem muita coisa ainda para ser descoberta. Não acompanho muito os grupos de tradução de hoje.

Keitaro: Você tem algum futuro projeto com relação à emulação / romhacking em mente?

Hyllian: Incontáveis, mas o que tentei fazer ultimamente foi traduzir Final Fantasy 7.

Keitaro: Tem algo que não perguntei e que você gostaria de falar / contar?

Hyllian: Não.

Keitaro: Alguma palavra final? Algo a dizer a quem está lendo / vai ler?

Hyllian: Façam apenas aquilo que é divertido no mundo das traduções. Se algo ficar chato, façam outra coisa. E aproveitem para aprimorar o inglês e o português enquanto traduzem. Isso é legal e me ajudou bastante. Usem sempre pelo menos dois dicionários e acostumem-se a pesquisar em gramáticas. Isso é uma das coisas que valem a pena nesse hobby.
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