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Keitaro entrevista Lynx
Entrevista feita pelo Keitaro em 08/10/2004:


Keitaro: Fale um pouco sobre você. (idade, profissão, onde mora, etc.)

Lynx: Tenho 25 anos, moro em Piracicaba (interior de São Paulo), trabalho com impressão digital e faço alguns trabalhos como web designer "por fora".

Keitaro: Fale sobre a sua relação com vídeo-games e jogos.

Lynx: Meu primeiro vídeo-game foi o Atari. Depois fiquei estagnado na era dos 8 bits e acabei pulando uma geração, indo direto pro Mega Drive, vídeo-game este que me traz muitas lembranças boas à mente, com jogos saudosos como a série Valis, Sonic, Streets of Rage, Golden Axe, Shinobi, entre outros. Depois migrei pro SNES, onde comecei a minha relação de amor e ódio com os RPGs e também onde conheci o melhor RPG da história: Final Fantasy 6. Hoje em dia possuo apenas um PSOne com muitos CDs piratas e, por um grande desânimo com o atual cenário de games, estou sem vontade de adquirir um vídeo-game de 128 bits.

Keitaro: Qual é o seu emulador / jogo preferido? Por quê?

Lynx: Meus emuladores preferidos são o ZSNES e o Gens, porque são rápidos, emulam com perfeição a maioria dos jogos e porque são os emuladores dos sistemas que mais me trouxeram alegria: Mega Drive e SNES. Meu jogo preferido, aquele que eu nunca me enjôo, é Final Fantasy 6 (3 nos EUA). É simplesmente uma obra de arte em forma de cartucho, com personagens carismáticos, bons gráficos para a época, música nota 1000 e, o melhor de tudo, uma história sólida e bonita. Para mim, nem mesmo a "mega-produção" Final Fantasy 10 (PS2) bate esse pequeno gigante!! Além disso, todos os jogos que fizeram parte de minha infância gozam de meu respeito.

Keitaro: Como você conheceu os emuladores?

Lynx: Foi com um amigo meu, o Hélio, que, infelizmente, já passou desta para melhor (morreu num acidente de carro em 1998). Ele me apresentou ao Genecyst em 1997 e, putz, fazia tempo que eu não jogava um jogo de Mega Drive. Vocês não imaginam a alegria que senti ao saber que teria a chance de jogar grandes clássicos que evocavam minha infância mais uma vez. Mas, na época, o emulador era meio lento e a música era ruim. Mas fui acompanhando a evolução dos emuladores desde então e hoje tenho tudo quanto é tipo de emulador de vídeo-game aqui no meu PC.

Keitaro: A que grupo(s) você pertenceu / fundou?

Lynx: Desde que entrei para o mundo da tradução, só participei do IPS Center. Entrei numa época em que o fundador, Musashi, estava sozinho, pois os outros membros haviam saído para fundar o grupo Made in Brasil. Entrei somente como tradutor de scripts, mas logo aprendi o romhack e me tornei um dos principais tradutores do grupo. Musashi, por motivos de tempo e trabalho, foi obrigado a deixar o IPS Center e ele confiou o site aos meus cuidados e, desde então, sou eu quem o administra. Atualmente eu até criei um novo layout para ele, pondo em prática os conhecimentos em web designer adquiridos com o meu curso de informática.

Keitaro: Por que você começou a traduzir jogos?

Lynx: Resposta curta e grossa: Chrono Trigger. Logo que conheci os emuladores, conheci também o mundo das traduções, pois uma coisa levava à outra. Então achei a tradução de Chrono Trigger feita pela CBT. Na época fiquei super animado ao jogar um dos meus games prediletos em português, mas algumas mudanças nos nomes dos personagens acabaram por me decepcionar um pouco. Mas eu disse a mim mesmo que não ia reclamar, eu ia era fazer melhor!! E essa idéia de eu mesmo traduzir Chrono Trigger me perseguiu por muito tempo. Fiquei mais afim mesmo quando conheci as traduções do Sandman, o meu "ídolo" das traduções. Suas maravilhosas traduções de Final Fantasy 6 e Tales of Phantasia me mostraram que era sim possível para um brasileiro fazer um trabalho de qualidade e profissional. Unindo o isso à minha vontade de traduzir Chrono Trigger, decidi entrar para o mundo das traduções. Comecei como tradutor de scripts no IPS Center, mas fui lendo tutoriais e evoluindo o suficiente para poder iniciar o meu grande projeto. E foi então que eu comecei a traduzir Chrono Trigger, hoje uma tradução já concluída e bem aceita pelo povão. Agora estamos aí, levando esse sonho que é a participação, mesmo que indireta, no mundo dos games até quando eu puder. Hoje em dia meu tempo é escasso, mas a gente tenta resistir e continuar até quando for possível.

Keitaro: Que jogo(s) você traduziu? Comente sua(s) tradução(ões).

Lynx: Traduzi Chrono Trigger (SNES), Valis 1, Valis SYD e Valis 3 (Mega Drive), El Viento (Mega Drive), Shinobi 3 (Mega Drive) e atualmente me dedico ao Terranigma (SNES). Bom, sobre as traduções, Chrono Trigger era um sonho a ser realizado, mas o básico eu já respondi na pergunta acima. A série Valis foi uma série de games que me marcou muito na época do Mega Drive. Jogar um game com belas cenas de anime era muito legal e pouco comum na época. Era como participar de um desenho animado. El Viento e Shinobi 3 também foram games marcantes no meu tempo de Mega drive. Então, uma coisa levou à outra. E Terranigma é o meu novo desafio, pois é um RPG que eu não tenho tanta simpatia quanto Final Fantasy 6 ou Chrono Trigger, mas muita gente me pediu, então eu decidi tocar o projeto e fazer a alegria da galera que espera há muito tempo por uma tradução deste fantástico game.

Keitaro: Que jogo(s) você ajudou a traduzir?

Lynx: Poucos... Eu acentuei o EarthBound (SNES) para o S-nes (Tradu-Roms), traduzi um ou outro script pro Ninho (Trans-Center) e também traduzi uns scripts pro Comix Zone (SMD) do Musashi (IPS Center). Eu sou muito "na minha", portanto, se ninguém me pede ajuda, dificilmente eu me oferecerei para ajudar fulano ou sicrano, até porque tenho os meus próprios projetos pra tocar e pouco tempo para traduzir.

Keitaro: Você se afastou da emulação / romhacking? Se sim, por quê?

Lynx: Ainda não me afastei da emuscene / romhacking e espero continuar por mais um bom tempo.

Keitaro: Como anda a sua vida atualmente?

Lynx: Bem corrida... Trabalho, estudo, namorada, pouco tempo, muito estresse... e dedicação à tradução, quando possível.

Keitaro: Quais são as suas expectativas com relação à emuscene / romhacking?

Lynx: Eu espero que os emuladores continuem evoluindo (pelo menos aqueles que emulam os consoles clássicos) e que mais tradutores nacionais apareçam e divulguem o seu trabalho (o IPS Center está aí pra dar a maior força pra vocês). Ultimamente uma nova geração está surgindo, com gente muito boa. Cito, por exemplo, os membros do IPS Center Welblade, LEO X e TOM, tradutores novos, mas que sempre procuram fazer um trabalho de qualidade. Os tradutores brazucas estão aí para dar a alegria que esses manés da Sony, Microsoft e Nintendo negam para o Brasil.

Keitaro: Você acompanha a emuscene e o romhacking atuais? Se sim, o que você acha?

Lynx: Acompanho sim e acho que a coisa está um pouco "parada". Os vídeo-games de 128 bits possuem estruturas complicadas demais e acho difícil que surjam bons emuladores para esses consoles. No caso do romhacking, em especial o nacional, acho que a maioria dos tradutores são como eu, ou seja, não têm muito tempo para se dedicar às traduções. Mas a maioria que está aí é muito boa gente, temos grandes feras como Olaf e Tiozinho da Telesena (Made in Brasil), Fserve (Tradu-Roms), Jackal, gamer_boy e devilfox (BR Games) e tantos outros que são gente finíssima!! E o advento do Fórum Unificado de Traduções é a prova de que a maioria dos tradutores brazucas são pessoas de caráter e realmente dispostas a levar diversão aos gamers brasileiros.

Keitaro: O que você acha dos grupos brasileiros de tradução atuais?

Lynx: São poucos os grupos ativos, mas todos são muito bons e estão sempre procurando trazer novidades para os fãs brasileiros. Como eu já disse, muitos tradutores não têm tanto tempo quanto gostariam, mas nesse pouco tempo eles procuram fazer o melhor com seus trabalhos. E neste esquema também se encaixa o IPS Center, estamos aí para divertir!!

Keitaro: Você tem algum futuro projeto de emulação / romhacking em mente?

Lynx: Atualmente eu trabalho com o Terranigma (SNES). Fora isso, eu gostaria muito de traduzir o Final Fantasy 6 via a retradução feita pela RPG One, alguns jogos de GBA e alguns clássicos de Mega Drive... Mas, se essas idéias irão se concretizar, só tempo dirá.

Keitaro: Deixe uma mensagem para quem está lendo esta entrevista.

Lynx: Um recado para aqueles que desejam entrar para o mundo da tradução: façam como eu, agarrem-se num objetivo e sigam em frente!! Leiam tutoriais, perguntem aos tradutores e, o mais importante, nunca desistam. Pensem assim: se até o Lynx, que não sabia "bulhufas" de tradução, conseguiu aprender, vocês também conseguem. Aproveitem a tradução para aprimorar o seu inglês e também o seu português. É uma das coisas legais que esse trabalho pode lhes proporcionar. E façam as adaptações necessárias para que um jogo se adeque melhor à nossa língua portuguesa. Nada de "pagar-pau" para o inglês ou qualquer outra língua!! Quer traduzir? Então, mãos à obra!!
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